Tiny House. Mais do que uma mini casa, um estilo de vida

DECORAÇÃO

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Muito já se falou sobre o minimalismo. Esse termo, mais comum quando falamos em movimentos artísticos, arquitetura ou estilos de decoração, tem ganhado a cada dia mais força. Especialmente quando a lógica do “menos é mais” se aplica também ao comportamento das pessoas, às suas escolhas, ao uso consciente das coisas e, basicamente, ao seu estilo de vida. Afinal, não se trata apenas de organização e espaços funcionais. O minimalismo tem conquistado as pessoas por seu aspecto responsável, como um convite que nos propõe pensar: Preciso mesmo de tantas coisas?

O tema tem interessado tanto que na Netflix, por exemplo, plataforma de séries e filmes via streaming, tem diversos documentários sobre o tema. Um deles é o Minimalism: A Documentary About the Important Things (Minimalismo: Um documentário sobre coisas importantes, em português). Se você quiser saber mais sobre o assunto, vale a pena assistir para refletir, entender melhor o conceito e, depois, decidir por você mesmo se, afinal, as coisas são ou não são realmente importantes. Cada um é cada um, né?

De toda forma, existem muitas formas de ser minimalista. Alguns adeptos preferem abrir mão de coisas entendidas como “supérfluas”, outros decidem consumir menos ou simplesmente escolher consumir com mais responsabilidade social e ambiental. Tem quem prefira ter menos peças de roupas e por aí vai. Entre as pessoas que aderiram a esse “jeito de viver”, algumas tomaram medidas mais drásticas e, unindo o tão conhecido “menos é mais” com o desejo de liberdade, optaram por viver em tiny houses, ou mini casas.

Mas o que é uma Tiny House?

Em linhas gerais, são casas com no máximo 40 m² e normalmente construídas sobre rodas. Mas, é muito mais do que um estilo de construção: é um movimento social e arquitetônico que propõe reduzir o espaço onde vivemos. A ideia é ocupar menos espaço, porém de forma flexível e o mais funcional possível, assim promovendo uma vida mais simples também.

Surgiu nos EUA na década de 90 e ganhou força com a crise financeira de 2008, conquistando toda uma geração em busca um estilo de menos consumista. O movimento Tiny House depois se espalhou para o Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Europa. No Brasil, o movimento ainda é novo. Recentemente o portal UOL publicou uma reportagem especial sobre a primeira família a viver em uma tiny house no Brasil, o que mostra que mesmo tímido, o movimento vai deixando aos poucos sua marca por aqui.

Menos é mais econômico

A casa própria é um sonho de milhares de pessoas, mas é um desejo longe de ser realizado por muitas delas. Se você parar para pensar que uma pessoa que vive de aluguel gasta, em média, terço de sua renda para pagar as contas, ou mesmo uma prestação da casa, poderíamos pensar em anos de trabalho até que a dívida seja realmente paga.

Por isso, o pensamento que norteia o movimento das tiny house é o seguinte: além do investimento na propriedade em si, quanto maior é uma casa, mais gastos com mobília, manutenção e reparos. E quanto menor é uma casa, além da redução dos gastos citados acima também existe a redução dos impactos ambientais. Outro ponto é que as tiny houses podem ser móveis, permitindo mais liberdade de deslocamento.

E a verdade é que muitas das casas tradicionais têm dimensões excessivas para as reais necessidades de família que querem estar mais alinhados ao consumo consciente. Ou simplesmente querem e precisam economizar.

As mini casas não têm endereço fixo, com número e rua, o que pode ser um pouco complicado na hora de receber a correspondência. As pessoas que aderem a esse estilo de vida podem optar por ter um terreno próprio para instalar a casa, mas não é o que normalmente acontece. É mais comum que as tiny houses ocupem vagas em campings ou mesmo que fiquem instaladas no quintal de amigos ou de parentes. A vantagens nesse caso é que não incide sobre o IPTU, uma vez que não afeta o dono do terreno com alteração no imposto, mesmo que a exista uma outra casa lá.

Como são feitas

Ok. A tiny house não tem endereço fixo, então como identificar a casa? Com um jeito muito simples, que também é um boa curiosidade: as mini casas sobre rodas, normalmente, têm nome próprio. E além de ajudar com a localização, também já agrega um certo charme: outro ponto interessantes nas tiny houses é que, mesmo sendo pequenas, e talvez por isso mesmo, são bastante criativas, aconchegantes e práticas. Como, por exemplo, marcenaria dobrável, embutidas e com mais de uma função, sem abrir mão da inovação e tecnologia. Tudo na tiny house é pensado de um modo diferentes. Levando em consideração a sustentabilidade. Por isso, muitas vezes, o projeto pode ser um pouco mais demorado e pode demandar mais tempo de aprovação para ajustes e outros detalhes. Pessoas que nunca viveram em espaços pequenos antes podem apresentar muitas dúvidas sobre a funcionalidade.

O lado bom, em compensação, é que um projeto como esse tem um processo de execução de poucos meses, o que é uma grande vantagem em relação às obras construídas em alvenaria ou concreto armado.

A construção é pré-moldada, normalmente possui isolamento acústico com drywall e o revestimento térmico é feito com chapas ou tábuas de compensado. Pode ser fixa ou

sobre rodas – neste caso, deve respeitar as leis de trânsito e deve ter autorização do órgão responsável para ficar estacionada em algum lugar, durante um período, ou mesmo para circular.

Outro aspecto da tiny house que pode levantar dúvidas é o banheiro, mas nesse caso, apenas segue a característica sustentável que propõe o movimento. Nas mini casas, o banheiro normalmente usa a privada seca, conhecida também como composteira. Essa é uma solução comum, e usada com frequência nas bioconstruções. E como o reaproveitamento é uma premissa, com a privada seca a ideia é transformar fezes humanas em adubo por meio de uma técnica de compostagem. Mas também é possível usar um sistema de água e esgoto comum, assim como uma ducha externa.

Fica uma lição

Como foi dito, esse é um movimento que propõe repensarmos nosso modo de vida. A cada dia que passa, fica mais importante que pessoas, empresas e governos criem meios de garantir a qualidade de vida, nossa e a do planeta. A sustentabilidade e a responsabilidade ecológica são pautas muito atuais e que só vão ser, a cada dia mais daqui para frente, mais importantes. Por isso, quando se fala em ocupar menos espaços também é uma forma falar sobre nossa presença e nosso impacto no mundo. Algumas pessoas vivem casas com muitos metros quadrados, outras em espaços com apenas um cômodo. Uma casa repleta de conforto, e a outra nem tanto. Como diminuir a distância entre as duas coisas de forma justa e consciente? Esse pensamento, essas questões, são as premissas fundamentais da tiny house. O movimento tem como objetivo mostrar que viver com menos não é viver sem conforto ou qualidade. Pelo contrário: viver com menos é um convite a refletir sobre a real importância das coisas, de um modo geral.

Como saber mais como tiny house

Se quiser acompanhar as tiny houses, seguir algumas páginas no Instagram podem ser uma boa pedida. A Tiny House Brasil é uma consultoria, que também realiza projetos sob medida. A Tiny Brasil é uma startup que também vale a pena conferir. Agora, se você quiser acompanhar e saber mais sobre como é a vida de quem vive em uma tiny house, é só seguir a página Pés Descalços.

Gostou? Mesmo que você não tenha interesse algum em morar em 40 m², que tal apenas repensar o uso das coisas, evitando excessos e, assim, contribuindo para que o meio ambiente e as pessoas possam viver de forma mais sustentável, responsável e igualitária?